Devo tudo o que sou ao Rádio. Estou nele desde a adolescência, quando vi pela primeira vez a luz acesa no estúdio indicando "No ar" e me obriguei a soltar a voz. Sou grato ao rádio pelos muitos amigos que me deu, pelos conhecimentos que me proporcionou e pela imensa alegria de poder compartilhar tudo isso com os ouvintes. O grande radialista Hélio Ribeiro sintetiza, nesta mensagem, o significado do Rádio para todos nós que amamos esse meio de comunicação.
Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, que se lamentam em vão.
Estes homens são o Povo.
Estes homens estão sob o peso de calor e de sol, transidos pelas chuvas, ruídos de frio, descalços, mal nutridos; lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar o pão, o alimento de todos.
Estes são o Povo, e são os que nos alimentam.
Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os estofos.
Estes homens são o Povo, e são os que nos vestem. Estes homens vivem debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respiram mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.
Estes homens são o Povo, e são os que nos enriquecem. Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nos conservemos o nosso descanso opulento.
Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem. Estes homens formam equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados. Estes homens são os que nos servem.
E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que o vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o servem?
Primeiro, despreza-os, não pensa neles, não vela por eles, trata-os como se tratam os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e de dificuldades; forma-lhes em redor uma servidão que os prende a uma miséria que os esmaga; não lhes dá proteção; e, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.
É por isso que os que têm coração e alma, e amam a justiça, devem lutar e combater pelo Povo.
E ainda que não sejam escutados têm na amizade dele uma consolação suprema.
Para Sarney e os atos secretos dos "pais da Pátria". Amém!
Vaticano – DF: O Congresso Nacional contratou a Santa Igreja para realização da Missa do Gato, em homenagem ao falecimento da honra e da honestidade no Senado Federal.
Eis a íntegra da oração feita pelo Santo Padre na cerimônia:
Senhor, Fazei de mim o instrumento do golpe na constituição, Onde houver mutreta…que eu leve a maleta; Onde houver gorjeta…que seja a minha teta Que eu tenha dor na munheca de tanto encher a cueca Em cada licitação…que alguém molhe a minha mão E que no meu endereço vença o meu preço; Onde houver crachá que não falte o jabá Onde houver ócio…que eu feche o meu negócio, Onde houver propina, que reservem o da vila campesina, Mas sem esquecer do MST,das ONGs e do PT. Onde houver colarinho branco que dobre o lucro do banco. Onde houver esquema…cuidado com o telefonema; E quando tocar o sino chamem o Genoíno; Se mexerem no meu que venha o Zé Dirceu E, se a proposta for chula, lembrai do custo do Lula. Ó mestre Que eu tenha poder para corromper e ser corrompido, Porque é sonegando que se é promovido E mentindo que se vai subindo pois enquanto o povo sofre imposto e inflaçao, O índio passa o facão, o sem terra faz invasão A base aliada entra na negociação E a gente mete a mão Amém!
O tema cotas para afrodescendentes em universidades públicas causa polêmica e reabre feridas antigas. Primeiro, porque o preconceito atinge de fato os negros, estigmatizados pela servidão a que foram submetidos, pois, lembremos, o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravatura. Segundo: a maioria das famílias pobres vê quase sempre frustrado o sonho de matricular seus filhos em universidades federais ou estaduais, que, a rigor, teriam de reservar suas vagas aos que não podem pagar as altas mensalidades cobradas pelas escolas particulares. Segundo dados do Dieese/Seade, entre os brasileiros com mais de 25 anos, que têm curso superior completo, há um negro para cada cinco brancos. Até quando a segregação racial e social continuará grassando silenciosa e hipocritamente neste país? Algo precisa ser feito para que a única via (honesta) de ascensão do indivíduo na sociedade, a educação, possa ser democratizada. Surge a indagação se a política de cotas causaria mais constrangimentos aos negros, porque, de certa forma, os coloca na condição de “eternas vítimas”. A situação do negro no Brasil se assemelha a de dois pugilistas com luta marcada para determinada data. Enquanto um se alimenta corretamente, e treina todos os dias, o outro permanece de braços amarrados, sem água e comida. Quem será o vencedor?” Para sair da condição social inferior, o negro necessita de políticas afirmativas e compensatórias, não do sentimento de pena. A discriminação existe e é cruel. Basta entrar em qualquer Shopping Center e verificar o número de atendentes e gerentes negros; assistir às novelas da Globo- desde que não sejam de época, pois aí o negro aparece como escravo- e conseguir ver alguma referência desprovida de preconceitos. Atores negros, geralmente, interpretam bandidos, prostitutas e empregados domésticos. Isso sem contar as oportunidades perdidas pela falta da tal “boa aparência”, termo adotado por algumas empresas para encobrir o “ não admitimos negros”. Quando a “cândida” Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, os escravos deixaram os domínios dos coronéis e foram para a marginalidade, sem direito a qualquer benefício. De 1888 para cá, várias gerações herdaram o fardo das senzalas e se batem por dias melhores e dignidade. A concessão de cotas nas universidades públicas deve ser repensada, sim, mas para alcançar os milhões de excluídos, sejam eles brancos, amarelos ou negros, igualmente vítimas do sistema desumano de distribuição de renda que impera no Brasil. Para este item, mais uma estatística do Dieese/Seade: no grupo que está no topo da pirâmide social, do 1,7 milhão de pessoas mais ricas do país, há nove brancos para cada negro.
Vi o Antonio Abujamra recitar no final do seu "Provocações", anotei o nome do autor - Silas Corrêa Leite - e fui pesquisar no Google. Encontrei o que, em minha modesta opinião, de mais tocante, sensato e verdadeiro se escreveu sobre a vida e a morte de Michael Jackson.
Michael Jackson era negro e queria ser branco (com sua cota ancestral de dor negra) O que o vitimizou – como um estigma Michael Jackson era pobre e queria ser rico (de posses infantis e desejos transversais) O que o desconfigurou como um estorvo Michael Jackson era homem e queria ser mulher (de alguma maneira que pudesse) O que o adulterou - Narciso cego, Édipo manco Michael Jackson queria ser judeu (mas era um Peter-Pan enjaulado em cantagonias) O que o marcou como ser na identificação de. Michael Jackson como um não-Ser num não-lugar Cantava dançava compunha dirigia criava voava Um quase preto homem-menina com desvios íntimos Com fox-trot nos pés e nos quadris portentosos E uma alma sempre criança mal-amadurecida Na ultrajada inocência para fins midiáticos e lucrativos Fugiu-se na música – as ousadas canções Tinha ritmo frenético – em viagens sonoras Sobreviveu feito ermitão – urbano entre brinquedos O pop do alto ao chão – paranóia na vida-livro Muito além dos píncaros da glória efêmera... Agora não tem cor – Não há cor na morte Agora não tem posses – Nada levamos daqui Agora não tem sexo – A terra há de comer Agora não tem vitiligo: pergunte ao pó
Estão na minha página de podcast, dois poemas que gravei de autoria do sanjoanense Ademir Barbosa de Oliveira. Ambos foram extraídos do excelente livro “Pedaços de Mim”. Para ouvir clique aqui.