quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
Rádio, minha vida
Devo tudo o que sou ao Rádio. Estou nele desde a adolescência, quando vi pela primeira vez a luz acesa no estúdio indicando "No ar" e me obriguei a soltar a voz. Sou grato ao rádio pelos muitos amigos que me deu, pelos conhecimentos que me proporcionou e pela imensa alegria de poder compartilhar tudo isso com os ouvintes. O grande radialista Hélio Ribeiro sintetiza, nesta mensagem, o significado do Rádio para todos nós que amamos esse meio de comunicação.
sábado, 15 de agosto de 2009
O Povo
Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, que se lamentam em vão.
Estes homens são o Povo.
Estes homens estão sob o peso de calor e de sol, transidos pelas chuvas, ruídos de frio, descalços, mal nutridos; lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar o pão, o alimento de todos.
Estes são o Povo, e são os que nos alimentam.
Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os estofos.
Estes homens são o Povo, e são os que nos vestem. Estes homens vivem debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respiram mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.
Estes homens são o Povo, e são os que nos enriquecem. Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nos conservemos o nosso descanso opulento.
Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem. Estes homens formam equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados. Estes homens são os que nos servem.
E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que o vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o servem?
Primeiro, despreza-os, não pensa neles, não vela por eles, trata-os como se tratam os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e de dificuldades; forma-lhes em redor uma servidão que os prende a uma miséria que os esmaga; não lhes dá proteção; e, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.
É por isso que os que têm coração e alma, e amam a justiça, devem lutar e combater pelo Povo.
E ainda que não sejam escutados têm na amizade dele uma consolação suprema.
domingo, 5 de julho de 2009
Michael “Neverland” Jackson
Vi o Antonio Abujamra recitar no final do seu "Provocações", anotei o nome do autor - Silas Corrêa Leite - e fui pesquisar no Google. Encontrei o que, em minha modesta opinião, de mais tocante, sensato e verdadeiro se escreveu sobre a vida e a morte de Michael Jackson.
Michael Jackson era negro e queria ser branco (com sua cota ancestral de dor negra)
O que o vitimizou – como um estigma
Michael Jackson era pobre e queria ser rico (de posses infantis e desejos transversais)
O que o desconfigurou como um estorvo
Michael Jackson era homem e queria ser mulher (de alguma maneira que pudesse)
O que o adulterou - Narciso cego, Édipo manco
Michael Jackson queria ser judeu (mas era um Peter-Pan enjaulado em cantagonias)
O que o marcou como ser na identificação de.
Michael Jackson como um não-Ser num não-lugar
Cantava dançava compunha dirigia criava voava
Um quase preto homem-menina com desvios íntimos
Com fox-trot nos pés e nos quadris portentosos
E uma alma sempre criança mal-amadurecida
Na ultrajada inocência para fins midiáticos e lucrativos
Fugiu-se na música – as ousadas canções
Tinha ritmo frenético – em viagens sonoras
Sobreviveu feito ermitão – urbano entre brinquedos
O pop do alto ao chão – paranóia na vida-livro
Muito além dos píncaros da glória efêmera...
Agora não tem cor – Não há cor na morte
Agora não tem posses – Nada levamos daqui
Agora não tem sexo – A terra há de comer
Agora não tem vitiligo: pergunte ao pó
domingo, 3 de maio de 2009
Entrevista: Dante de Oliveira
O Movimento Diretas-Já completa 25 anos em 2009. Seu principal personagem, Dante de Oliveira, morto em julho de 2007, concedeu-me entrevista em 2004, que reproduzo neste post. Também estão postados nos arquivos do blog dois podcasts que trazem um programa de rádio sobre o tema.Antonio Luiz Magalhães: Vinte anos depois da votação da Emenda de sua autoria, que avaliação o senhor faz daquele período?
Dante de Oliveira: Foi, sem dúvida, um dos períodos mais ricos da sociedade brasileira. Aquilo que começou como a simples apresentação de um projeto de Emenda constitucional, em 1983, que restabelecia o direito de votar para presidente da República, foi se avolumando cada vez mais. Na verdade, o movimento só cresceu daquela maneira porque havia, na sociedade, um esgotamento em relação à Ditadura. Vinte anos de regime autoritário, de arbítrio, prepotência, assassinatos, exílio, tortura, perseguições, censura, corrupção e de um modelo econômico perverso e concentrador de renda é que provocaram a enorme aceitação ao projeto, se transformando em algo muito acima daquilo que nós esperávamos. Tanto eu, como autor do projeto, quanto o doutor Ulisses Guimarães, Tancredo, Brizola, Lula... Ninguém imaginava que a população pudesse realizar um movimento tão forte como aquele.
ALM: Como estava o ambiente em Brasília na véspera e no dia da votação da Emenda?
ALM: E o papel da imprensa naquele processo?
ALM: Muitos protagonistas do movimento das Diretas estão hoje no Poder. Como o senhor analisa o trabalho desses homens públicos, que empunharam a bandeira das Diretas, governando o país?
D.O: Aquele movimento já deu três presidentes da República. Infelizmente um não pôde governar – Tancredo – mas sua eleição foi conseqüência das Diretas, que desmontou o Colégio Eleitoral, porque o Tancredo acabou vencendo dentro do próprio território do inimigo. Depois veio o Fernando Henrique e agora, o Lula. A análise que eu faço é a seguinte: o Brasil, nestes 20 anos, conseguiu construir instituições democráticas muito sólidas. Temos um Congresso Nacional funcionando com liberdade, o Judiciário, o Ministério Público fortalecido após a Constituinte, a imprensa livre para expor suas opiniões, a liberdade de expressão. Porém o que faltou nestes 20 anos foi a redemocratização da renda, do emprego, da educação e da saúde. O grande desafio das novas gerações é dar conseqüência à democratização econômica e social do Brasil. Não podemos continuar sendo uma nação democraticamente de primeiro mundo e ver no campo econômico e social grassando ainda a miséria, a fome e o desemprego. Esperamos que estes democratas que lutaram tanto possam, junto com a sociedade organizada, construir um modelo econômico alternativo. Depositou-se muita esperança no presidente Lula, porque ele encarnava um discurso de mudanças. Mas, infelizmente, o que está demonstrado neste primeiro ano de governo é que não há projeto econômico e social alternativo. Eles ganharam o poder e não sabem o que fazer com este poder. Esqueceram que, para pilotar um avião, é preciso ter um plano de vôo. É isto que está faltando ao Brasil: um projeto de desenvolvimento de curto, médio e longo prazo capaz de fazer que aquele movimento pela redemocratização atinja os mais pobres, os assalariados e os desempregados, que são milhões hoje no país. Ouça a entrevista em almajornalismo.podbean.com
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Revistas Velhas

Aproveitando o ócio do feriado de carnaval fui revirar antigos papéis que insisto em guardar. Tenho em mãos dois exemplares da revista Manchete. Um data de janeiro de 1979, o outro, de maio de 1980. Na capa do primeiro, foto de Sônia Braga e o título “A verdadeira história de Dancin’ Days”, numa alusão ao grande sucesso televisivo protagonizado pela morena que encantou o Brasil na pele de Julia. Outro destaque da capa de Manchete: “As previsões de Alan Richard Way – O que vai acontecer em 79”. Da lista de vaticínios apresentada pelo guru norte americano, apenas as dificuldades que o general João Figueiredo enfrentaria em seu primeiro ano de governo se concretizariam. Já os problemas econômicos na Ilha, ao contrário do que previra , não fizeram Fidel Castro “pedir o boné e ir embora do governo de Cuba”. Na página política, o velho coronel Antonio Carlos Magalhães, forte candidato a ocupar uma vaga no ministério de Figueiredo, disputando – adivinhem! – com José Sarney. A matéria traz ainda fotos dos ministeriáveis Mário Andreazza, Delfim Netto, General Golbery e Mário Henrique Simonsen, egressos do ministério de Médici. Página 95. O veterano repórter David Nasser comemora quatro anos como colaborador da Revista e arremata o texto mencionando as agruras da vida de produtor rural na Fazenda que possuía em São João da Boa Vista. Anúncios do Novo Toca-Fitas Estéreo Motoradio e do Corcel 79 antecedem o depoimento de Darlene Glória – ex-atriz de pornochanchadas – a Ronaldo Bôscoli: “Darlene Glória morreu, viva a Irmã Helena”. Na página 104, Joel Silveira entrevista Dom Paulo Evaristo Arns, então líder do chamado episcopado engajado da América Latina. Falou da censura que se abatera sobre o jornal O São Paulo, editado pela arquidiocese paulistana entre 1972 e 1978. Texto primoroso, tanto pela grandeza do personagem quanto por quem o escreveu. Encerro o post com uma recomendação aos que gostam de guardar e de ler revistas velhas. Está nas bancas “Irmãos Karamabloch”, livro que conta a história de uma pequena gráfica que se transformou em um império de comunicações. Começou com a revista Manchete e chegou a incluir, em seus dias de glória, emissoras de rádio e tevê, gráfica, editora de livros e dezenas de publicações periódicas.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Rádio Diretas - parte 1

Em 2004, por ocasião dos 20 anos do movimento pelo restabelecimento de eleições livres e diretas no Brasil produzimos, eu, Biagioni Neto, Tobias Valdissera e Benedito Mattos, sob coordenação da professora doutora em Comunicação Maria do Socorro Veloso, o documentário Diretas Já. O programa radiofônico traça uma linha do tempo e resgata os principais fatos políticos ocorridos a partir do Golpe Militar de 31 de Março de 1964 até abril de 1984, quando a emenda Dante de Oliveira foi derrotada no Congresso Nacional. Diretas Já é fartamente ilustrado por áudios históricos, depoimentos de personagens e músicas que marcaram aquelas duas décadas.
Ficha Técnica
Apresentação: Antonio Luiz Magalhães e Biagioni Neto
Texto: Antonio Luiz Magalhães
Pesquisa e reportagens: Tobias Valdissera e Benedito Mattos
Coordenação: Professora Doutora Maria do Socorro Veloso
Sonoplastia e Mixagens: Marco Antonio Ferreira Sacardo e Gustavo Risardo
Gravação: Rádio Mirante FM de São João da Boa Vista
Agradecimentos: Milton Parron (Rádio USP)
